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Reportagem Especial: Trabalho em Família

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(Ter, 15 Mai 2018 14:33:00)

REPÓRTER: Não é raro encontrarmos exemplos de pessoas que trabalham em estabelecimentos em que os pais, irmãos, tios são os donos... E ser empregado em empresa da família é algo que pode ter vantagens, mas a relação trabalhista deve envolver cuidados especiais para que o sucesso do empreendimento seja alcançado. 

REPÓRTER: O contador Marcos Lemos é chefe administrativo de uma empresa de contabilidade brasiliense, que pertence ao pai e ao tio. Ele presta serviços há 11 anos no estabelecimento e conta que tanto a cobrança pessoal quanto a dos chefes, o pai e o tio, são maiores por se tratar de um negócio familiar.

Marcos Lemos - Contador

“Há cobrança maior, sim. Por causa daquele pensamento: isto é o que sustenta nossa família, então sabemos que se algo acontecer aqui não vai prejudicar apenas as pessoas que trabalham aqui, mas a família por inteiro. Então, isso é algo que nos dá essa cobrança e que também é uma responsabilidade maior um e pro outro.”

REPÓRTER: Para o contador, uma das principais dificuldades é conseguir manter os problemas familiares da porta da empresa para fora. Como a convivência é constante, muitas vezes a relação trabalhista pode ser afetada de forma negativa devido à intimidade dos membros...

Marcos Lemos - Contador

“O cuidado maior é pra não trazer os problemas pessoais para dentro da empresa. Acho que esse seria o maior, porque querendo ou não, toda família tem seus problemas e trazer para o ambiente empresarial não é bom porque você tem colaboradores, tem funcionários, e isso pode atrapalhar.”

REPÓRTER: Marcos conta que optou por seguir a carreira de contador por influência do pai. Ele afirma que não teve dificuldade para conquistar o reconhecimento profissional. Com ele também trabalham a irmã e dois primos, além do pai e do tio, que são os chefes. Ele destaca que a relação trabalho-família não prejudica o bom relacionamento com os parentes. 

Marcos Lemos - Contador

“Estamos sempre juntos. Eu particularmente pratico muito esporte junto do meu pai. Tem meu tio, que sempre fazemos reuniões, fazemos umas confraternizações. Não vejo nada que atrapalhe.”

REPÓRTER: Andressa Lemos, a irmã mais nova de Marcos, teve uma trajetória diferente no início da carreira. Estudante de Engenharia Civil, se interessou por gestão empresarial, área em que atua hoje, e agora pretende se especializar. Para ela, o fato de trabalhar com parentes é gratificante e a confiança por ser da família exige ainda mais responsabilidade.

Andressa Lemos – Assistente Administrativa

“Eu acho bem mais tranquilo. Eu já trabalhei em outras empresas e eu achei mais fácil questão de empenho, de quando você sugerir uma coisa, é mais fácil você sugerir, mais à vontade você e você tem mais vontade de crescer porque acredita que aquilo também é seu.”

REPÓRTER: O pai de Andressa concorda. Ramon Lemos, que criou a empresa de contabilidade em parceria com o irmão há 28 anos, conta que exige um pouco mais dos filhos por saber que futuramente eles vão assumir o empreendimento. Ele acredita que essa cobrança gera bons frutos mas reconhece que nem todos os negócios familiares conseguem obter um resultado positivo. Em determinados casos, os pais, que também são chefes, criam expectativas que não são correspondidas pelos filhos.

Ramon Lemos – Contador/Empresário

“A cobrança existe... não queria comparar a cobrança que a gente espera. E também às vezes tem o lado... isso que eu estou te falando, eu falei o lado bom e agora o contra que também é a comodidade. Às vezes o compromisso, a responsabilidade dele é bem menor.”

REPÓRTER: Para Ramon, o convívio diário pode ser motivo de desgaste. Mas isso deve ser superado pelo profissionalismo.

Ramon Lemos – Contador/Empresário 

“A gente precisa saber diferenciar a questão da família, do parentesco com o profissional. Porque acaba se tornando um funcionário que precisa produzir, precisa ter responsabilidade e comprometimento com a empresa. (...) É diferente você estar todo dia com os familiares, trabalhando junto”

REPÓRTER: E em relação aos direitos trabalhistas? Será que existem exceções para o estabelecimento do vínculo empregatício entre membros da mesma família? O advogado trabalhista Carlos Hernani Dinely explica que não há restrições legais para as contratações de familiares. Mas a legislação é clara: no ambiente laboral, patrão é patrão e empregado é empregado.

Carlos Dinely – Advogado

“Em relação a isso, na verdade se aplicam as mesmas normas que se aplicam a qualquer outro tipo de empregado. A única dificuldade que nós temos aí é justamente por ser uma relação pessoal, ou seja, uma relação familiar, de parentesco, que acaba sendo uma relação que extrapola a relação profissional, empregatícia. A dificuldade pode surgir daí.”

REPÓRTER: É importante deixar claro que independentemente do parentesco, empregado e empregador têm obrigações legais que, caso sejam descumpridas, possibilitam o ajuizamento de reclamação judicial na Justiça do Trabalho. O advogado explica que a relação familiar pode até facilitar a homologação de acordo.

Carlos Dinely – Advogado

“Ele pode entrar com ação trabalhista contra seus parentes sendo eles seus empregadores. É um processo trabalhista comum. Só volto a frisar que o único diferencial é que além da relação profissional discutida no processo, vai ter uma relação pessoal, familiar por trás, que vai ser o pano de fundo dessa demanda. Mas apenas essa questão de que é uma relação familiar, pode dificultar ou, de repente, facilitar uma transação, um tipo de acordo.”

Reportagem: Filliphi da Costa
Locução: Filliphi da Costa

 
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