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Brito Pereira – a experiência e o desejo de aprender e colaborar



A pequena cidade de Sucupira do Norte, encravada no leste maranhense, viu muitos de seus filhos pegarem a estrada em busca de uma vida melhor. A mais de mil quilômetros e quatro décadas depois, um desses filhos ainda se vê como um retirante nordestino, repetindo a saga de gerações de conterrâneos que povoaram as capitais do sul do País. Não em busca de uma vida melhor, já adquirida depois de muito trabalho, mas de novas experiências e aprendizados.

E é assim, com esse intuito de aprender, servir e colaborar, que o ministro do Tribunal Superior do Trabalho João Batista Brito Pereira diz assumir o cargo de corregedor-geral da Justiça do Trabalho.  Desde o distante ano de 1974, quando resolveu, aos 22 anos, deixar a cidade de Colinas, no interior do Estado, onde concluiu o Ginásio e o 2º Grau, mudando-se para São Luís em busca de novas oportunidades, vem acumulando aprendizados em todas as suas atividades.

Esse aprendizado começou no trabalho como comerciário no interior do Estado, ainda estudante, e continuou quando morou em São Luís, e depois em Brasília onde chegou em novembro de 1975, até ingressar nos quadros do Tribunal Superior do Trabalho por concurso público de datilógrafo no ano seguinte. Cursou Direito no Centro Universitário do Distrito Federal – UDF.  "A experiência adquirida no TST me foi muito útil quando resolvi deixar o serviço público para iniciar a advocacia no ano de 1982", relembra.

Da mesma forma, ele conta que a experiência vivida na advocacia lhe serviu para ingressar no Ministério Público do Trabalho por concurso de provas e títulos bem como para o exercício do cargo, que, por sua vez, tem sido útil no exercício da Magistratura no Tribunal Superior do Trabalho, onde chegou em maio de 2000.

No TST, o ministro teve seu maior aprendizado. "Aprendi muito com o colegiado. O convívio com os colegas, a troca de conhecimento, os debates em plenário e a possibilidade de sempre aprimorar uma decisão, tudo isso é enriquecedor".

Agora, como ocorreu no passado, Brito Pereira pretende levar a experiência do colegiado para o exercício do cargo de Corregedor-Geral, uma missão que diz ser de grande responsabilidade e que demanda muito cuidado. "Nem sempre o que parece um equívoco do Tribunal Regional se confirma. Por isso, para mim, será muito bom ouvir os colegas dos tribunais para poder compreender as suas ações e as suas dificuldades".

Sobrevivente

Brito Pereira se define como "um sobrevivente", como tantos outros nordestinos que saíram pelo mundo. Embora Sucupira do Norte não esteja numa região que sofra muito com a seca (o Maranhão é o estado nordestino mais próximo da Região Norte), nem por isso a vida no campo era fácil. "Vivíamos com recursos muito escassos, no limite da sobrevivência."

Para o ministro, o que permitiu a ele e a seus três irmãos deixarem aquela realidade foi a dedicação dos pais, seu Valdemar e "Dona Lulu", com esforço e muita fé para que os filhos estudassem. "Eu sou uma pessoa de sorte", avalia o ministro, afirmando que, se não fosse o empenho dos dois, não teria frequentado escola.

Seu primeiro contato com as letras foi com uma professora, Dona Sebastiana, contratada pelo pai para ensinar as crianças em casa, no povoado onde morava. Para cursar o primário, foi preciso ir para uma cidade próxima, Mirador, o que se repetiu no ginásio, cursado em Colinas. Mas mesmo estudando, não deixou de ajudar o pai no negócio da família - um engenho de rapadura - ou na roça de subsistência, quando voltava no final de semana para casa. "Não existia onde comprar os alimentos. Todos plantavam".   

Ele conta que começou a trabalhar de verdade na adolescência. Mesmo a realidade do trabalho tendo chegado cedo, não concorda com quem defende o trabalho infantil como uma forma de desenvolver a habilidade profissional da criança. "Repudio o trabalho de menores de 14 anos".

Tênis

Brito Pereira é casado com a advogada Leila Brito Pereira desde 1983, com quem tem duas filhas, Ana Luisa e Débora Cristina, e um neto, Levi, com pouco mais de um ano, destino de todos os mimos e paparicos do avô. Foi por intermédio das filhas que surgiu uma outra paixão, o tênis.

Seu primeiro contato com o tênis ocorreu após ver as duas filhas receberem aula nesse esporte. Até então, sua experiência esportiva não passava de antigo goleiro de futebol de salão, esporte que teve de abandonar devido à necessidade de usar óculos.

O ministro não só acompanha o tênis como também pratica. Ele não deixa de identificar na prática do esporte o mesmo preparo, a disciplina e a concentração necessários para superar as dificuldades e alcançar suas conquistas pessoais e profissionais. No entanto, garante que o tênis não é um esporte solitário, muito pelo contrário. "O tênis agrega muito. O adversário do tênis se torna amigo. Não se vê, mesmo numa competição, um tenista menosprezar a vitória do adversário".

(Augusto Fontenele)

 

 

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