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Empregado constrangido em dinâmica motivacional será indenizado em R$ 15 mil

09.03.2015 - Quando um empregado está desmotivado, o trabalho não rende e as horas demoram a passar. Por isso, muitas empresas investem em programas motivacionais. Em Brasília, por exemplo,  a Confederação Nacional da Insdústria (CNI), adotou medidas que ajudam a estimular e engajar os empregados, como treinamentos, palestras, dinâmicas, incentivo à cultura e à leitura e até mesmo uma sala com equipamentos de academia, feita especialmente para os empregados usarem durante os intervalos. "Com isso nós alcançamos resultados superiores nas nossas atividades e nos projetos que a gente vem trabalhando", é o que afirma o gerente executivo de recursos humanos da CNI, Renato Paiva. Para a gerente de documetação e informação da CNI, Mara Gomes, as dinâmicas mudam a qualidade de vida e melhoram a produtividade, "as pessoas voltam com outro pique", conta. 
 
O problema é quando as empresas exageram nos programas e o que era para ser motivador, acaba constrangendo os empregados. Foi justamente o que aconteceu com um ajudante de entrega de uma empresa em Porto Alegre. Ele alegou que os coordenadores da Companhia faziam brincadeiras com o objetivo de estimular a produtividade, mas que acabavam sendo ofensivas e humilhantes. 
 
De acordo com o empregado, a equipe de entrega que retornava à empresa por último, tinha a foto colocada no "mural do pior do dia" e eles ainda eram taxados de "lerdos". Também era colocada uma chupeta na boca dos empregados que tentavam justificar o atraso ou o não cumprimento da meta. Segundo o empregado, a empresa também contratou artistas vestidos de drag queens para celebrar o dia do motorista causando constrangimento e humilhação.
 
O Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul entendeu que a empresa submeteu o ajudante de entrega a situações constrangedoras, o que garante o direito a indenização por dano moral. No Tribunal Superior do Trabalho o entendimento foi o mesmo. O relator na Sétima Turma, ministro Cláudio Brandão explicou, que diante do quadro registrado pelo Regional, a empresa submeteu os empregados a situações humilhantes e constrangedoras.
 
"A Constituição Federal garante a inviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e a imagem das pessoas, assegurando à indenização caso esses direitos sejam violados. A gestão por estresse se caracteriza pelo uso de expressões desqualificadoras, xingamentos ou brincadeiras de mau gosto e atinge a coletividade dos trabalhadores e sua autoestima, o que não deve ser admitido ou estimulado pelo judiciário", explicou o ministro Brandão. 
 
Por unanimidade, a Sétima Turma condenou a empresa ao pagamento de 15 mil reais por dano moral ao empregado.